Tô grávida, e agora?

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Mesmo para as mulheres que planejaram engravidar, ao receber a confirmação de uma gravidez, essa é uma das primeiras perguntas que vem à mente. Nada mais justo uma vez que um novo caminho se apresenta a sua frente. Caminho este que é desconhecido para uma primigesta (mulher grávida pela primeira vez) que vai pensar sobre todas as questões envolvidas com essa vida em desenvolvimento no seu ventre: desde a saúde desse bebê até a sua própria. E quase sempre nessa ordem… o que diz muito sobre esse lugar de mudança de eixo que começa a se dar desde o início da gestação.

Mas, vamos aos poucos. “Muita calma nessa hora”, pois o melhor nesse contexto é seguirmos com passos firmes, mais do que rápidos. E a rapidez a qual estamos habituados nessa vida de correria, de internet de 50 megas, conversas simultâneas com 5 pessoas no whatsapp… não tem muito a ver com os ritmos que uma gestação impõe.

Primeiro passo, então, procure sentir as necessidades que o seu corpo apresenta. Normalmente, dentro do primeiro trimestre, a maioria das mulheres deseja dormir muito. Um sono incontrolável e profundo. Já ouvi gestantes dizerem que acharam que estavam em depressão, quando ainda não sabiam que estavam grávidas. Uma certa letargia acontece e tem a ver com o impacto das mudanças hormonais que ocorrem. No Prasuti Tantra – ramo da medicina indiana que equivale a obstetrícia – temos a explicação que para uma gestação se firmar, a mulher precisa entrar nesse estado chamado “tama guna” (letargia, peso, moleza, sonolência) e aquelas que vivem uma vida mais “raja guna” (agitada, stressante, movimentada, de correria) costumam ter mais dificuldade para engravidar e manter uma gestação. Mas assunto de concepção é para outro momento! Voltemos a gestante vivendo seu primeiro trimestre: enjoos e vômitos podem se dar e a dica principal é respeitar o que o seu corpo rejeita e não consumir, mas procurar não ficar com estômago vazio, tendo sempre umas castanhas ou amêndoas para comer. Os enjoos matinais costumam ser resolvidos comendo algo antes mesmo de levantar da cama. Outra coisa que está dito pela medicina indiana: dê ênfase a uma alimentação líquida e pastosa, pois facilita a nutrição do embrião enquanto ele ainda não tem sua placenta formada. Ou seja, coma alimentos nutritivos nesse estado: sucos, vitaminas, sopas, cremes, smoothies, etc.

Uma vez que você atravessou o primeiro trimestre, no passo seguinte a grávida costuma se sentir mais disposta. E quase ela segue esquecendo que está grávida, pois não sente quase nada, em termos de desconfortos e alterações. Para aquelas que não faziam atividade antes de engravidar, melhor começar, quando está entrando nesse segundo trimestre. Para quem já tem uma prática regular, apenas reduza os ritmos, mas não precisa parar totalmente, mas de fato, a escuta do corpo é que vai fazer você decidir pelo melhor. As atividades possíveis são hidroginástica, pilates, academia, yoga para gestantes, sempre com um profissional confiável capaz de guiar a prática em segurança.

Esse período também traz as atenções para o enxoval, o quarto do bebê e quase sempre a mulher não pensa em se cuidar, mas tenha atenção a pele que esticará um tanto e para não sofrer com estrias, faça uso de óleos vegetais que costumam ser de grande eficácia (receita de como fazer seu óleo veja o link aqui no post. Massagem regular também pode ser revigorante, relaxante, aliviando dores e inchaços. Existem as técnicas de drenagem linfática bem disseminadas, e a técnica de massagem Mami Zen, desenvolvida a partir da junção de diversas técnicas indianas, crescendo como opção para alívio de dores e desconfortos de todo tipo. Mas novas abordagens também estão a serviço do bem-estar materno, tais como a microfisioterapia, a osteopatia, afinal, essa ideia de que sentir dor na gestação é normal, não deveria mais ser sustentada. Existem muitos recursos para melhorar as sensações que você pode sentir nesse período mágico.

Durante o segundo e terceiro trimestres, as escolhas em relação ao parto ficam latentes e são definidas. Independente do caminho que você sinta ser o melhor para você, busque informações abarcando as evidências científicas para que sua escolha seja consciente e respaldada por pesquisas. Participe de grupos e rodas de gestantes para que depoimentos reais esclareçam sobre a trajetória do parir e do cuidar. E busque por cursos de preparação para o parto e para o pós-parto. Sobretudo, esclareça sobre o pós-parto. Essa fase merece uma atenção especial e isso é assunto para um outro texto, visto que tem muitos detalhes a serem falados.

Chegando na reta final da gestação, busque manter-se mais tranquila, com menos afazeres, olhando os cuidados para a chegada do bebê, mas desfrute dos últimos momentos com ele dentro da sua barriga (pode parecer estranho, pois nessa fase tudo o que você vai querer é ver a carinha dele ou dela, mas saiba que você pode e deve se voltar a sua relação com seu companheiro, tomar um banho mais prolongado, sair pra jantar, enfim, fazer programas que não vão ser fáceis de assumir durante os primeiros três meses de nascimento do bebê). Se cuide, para estar bem para cuidar de quem chega com as demandas que irá apresentar. Ou seja, desfrute um pouco agora para que depois continue a desfrutar, mesmo com o trabalho que o primeiro trimestre do pós-parto traz.

E é muito importante deixar as reflexões que aparecem durante toda a gestação fazerem você mudar. Aos poucos, essa nova vida que chega vai fazendo você querer ser um ser humano melhor, uma referência digna e seus pensamentos e emoções tendem a se alargar, tal qual o seu corpo. Deixe-se crescer… a maternidade faz um convite explícito para você ir além de si mesma.

Desejo que você comece como quer que continue!

Abraço carinhoso

Maiana Kokila
Coach para concepção, gestação, parto e pós-parto
www.maianakokila.com