Eu preciso de um Psicólogo na gravidez?

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Tão importante quanto o acompanhamento médico pré-natal é a assistência e orientação psicológica à gestante. Cada um contribuindo para a saúde tanto da mulher quanto do futuro bebê seja ela física ou psíquica.

Por ser o período mais rico e intenso de vivências emocionais e que por si só traz, para o relacionamento familiar, novas atitudes e responsabilidades, percebemos como é fundamental falar das ansiedades e preocupações que envolvem a decisão de se ter um filho.

Embora nem sempre pensada e planejada de modo claro e explícito, pode-se dizer que, em algum momento da relação, a gravidez foi desejada para que pudesse se concretizar. Podemos pensar então, que antes mesmo da fecundação propriamente dita, o bebê já existia na cabeça dos pais ou de um deles e que culminou com o “esquecimento da pílula anticoncepcional, da revisão do cálculo da tabelinha ou até mesmo na impossibilidade de se interromper o ato sexual para colocação do preservativo”.

Desta maneira, a criança é gerada e o bebê da imaginação cria vida, tornando-se real.

A partir do momento que a mulher certifica-se da gravidez, tudo o mais em sua vida será diferente. E esta decisão repercutirá de modo marcante e profundo nas pessoas envolvidas, mãe, pai, avós, irmãos mais velhos… Ter um filho não envolve apenas uma decisão de momento, porém um compromisso para o resto da vida e é por este e outros motivos, que a balança do querer e do não querer estará sempre oscilando de um lado para outro.

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A tendência em se fantasiar como pais perfeitos leva à expectativa de ter o filho perfeito, aquele que corresponderá à idealização de perfeição: o filho bonito, obediente, educado, estudioso, saudável e vitorioso. Tudo que fugir deste protótipo será percebido como um fracasso ou falha tanto pelos pais quanto pelo filho, o que poderá acarretar grande culpa. E aqui entra o maior terror da gestante, quer seja, a possibilidade de ter um bebê que apresente alguma deficiência. Se, por acaso esta ocorrer, mesmo que seja por uma questão genética, a culpa que carregará pelo resto da vida é realmente insustentável.

As dúvidas e os temores que suscitam nesse período são muito naturais e esperadas, pois toda mudança envolve perdas e ganhos. O que deverão renunciar e o que poderá ser preservado?

Isso sem falar na preocupação com a sexualidade entre o casal que após cumprir o seu papel mais importante que é a preservação da espécie, perdesse a função do prazer pelo prazer. O aumento da necessidade de dormir que toma conta da mulher, como se seu corpo precisasse de mais repouso e menos estímulos para se preparar para todas as mudanças físicas e psíquicas que se iniciam. As instabilidades emocionais, num momento em que está mais sensível fazem com que muitas vezes sinta-se incompreendida. Náuseas e vômitos, desejos e aversões, constipação e diarreia também são sintomas comuns na gravidez, mas que também trazem consigo significados psicológicos a serem desvendados.

E o companheiro, como percebe todas estas manifestações e o que significam para ele, uma vez que também está se preparando para a paternidade e, desse modo, também se encontra vulnerável e à mercê de suas próprias angústias e questionamentos.

Portanto, para além de um corpo físico saudável é imprescindível que haja uma preparação emocional para acolher este novo serzinho. E um bom acompanhamento Psicológico pode garantir não apenas o bem estar do corpo, mas principalmente da cabeça e do coração dessa mulher que carrega dentro de si uma outra vida e uma nova forma de ver o mundo.

DanielaRitaDaniela Rita de Souza
Psicóloga – CRP: 03/10945
Olhar de Criança

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